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terça-feira, 14 de junho de 2011

JURO

Quando ensinava crianças do primeiro ciclo do Ensino Básico, começava normalmente, pelo primeiro ano de escolaridade e acompanhava-as até ao quarto ano. Por esses tempos, já lá vão alguns anos, havia necessidade de socializar as crianças, o que se fazia desenvolvendo o discurso oral (e não só), problemática que cabe hoje ao Jardim de Infância resolver.



Tendo em conta a prossecução do objectivo atrás referido, entre muitas outras, uma vez por semana, eu realizava com as crianças uma actividade a que chamava pomposamente desfuncionalizar objectos. Era “um faz de conta” planificado em que eu dava o mote, que poderia ser por exemplo: “hoje vamos pescar”. Caberia então a um dos alunos escolher um objecto que tivesse à mão, por exemplo, o lápis e dizer “eu levo esta cana de pesca”, outro mostrando a afiadeira, acrescentava “eu coloco este anzol que é bom para pescar sardinhas” e assim íamos através de associações criando um texto oral colectivo, desenvolvendo a imaginação e conversando uns com os outros (hoje a dificuldade é conseguir que oiçam!).



É claro que ao longo da escolaridade as actividades deste tipo, fossem elas para proporcionar aprendizagens ou para catarse da minha loucura (como eu gostava de promover tais estratégias!), iam progredindo, passando da invenção de histórias a partir de gravuras, até culminar no nonsense das “histórias sem pés nem cabeça”, sem esquecer, eu nunca esqueci, a aprendizagem da redacção, entendida como texto que obedece a um plano, como texto estruturado, com princípio, com meio e com fim.



No domingo fui a Ourém. Imaginam qual não foi o meu espanto quando à entrada da zona histórica, onde me dirigia, me deparei com o que os vossos olhos podem testemunhar?!





Eu juro, juro e volto a jurar que não tenho nada a ver com este carrinho de rolamentos!
Mas que a banheira andava depressa...isso garanto! Ah! E o travão, aplicado nas rodas traseiras até funcionava!

Afinal há "loucos" que não foram meus alunos!

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